Como Conquistar Uma Mulher

Quase Uma Semana de Amor – Crônica ZERISTA

Já vou logo avisando: qualquer risada nessa crônica é culpa dela – minha querida humorista.

Paixão, loucura, interesse ou ser colocado contra a parede?

O que leva um homem a se casar?

Carolina era a Beleza Morena.

Uma mulher exuberante que tornava-se inesquecível por causa do sorriso. Não só o que esboçava, mas também o que causava.

Sua inocência era visível na cor e no brilho de sua aura que enchia de alegria e bom humor qualquer espaço ou pessoa.

Me apaixonei por Carol assim como qualquer outro homem faria inevitavelmente, se a visse. Mas ao contrário de muitos, tive o privilégio de ser amado por ela.

Finalmente eu tinha encontrado uma mulher para brincar de pega-pega comigo por entre as prateleiras do supermercado. Era um sinal! Ela também era a mulher certa!

Maíra desenrolou-se dos novelos de lã e Monique desceu de sua nuvem para ouvirem ao meu anúncio: a terceira estava por vir.

SEGUNDA-FEIRA

O que um noivo e uma noiva faziam na Praça dos Pombos em plena segunda-feira?

Era uma cerimônia. Uma cerimônia pagã.

Como teto, nossa igreja tinha o céu.

Como padre o Sol.

Como convidados os pedestres.

Mãos dadas, olhos nos olhos… E nada de promessas. Um amor tão verdadeiro não precisava de papéis, nem de testemunhas. Afinal, não se tratava de um contrato, nem de um crime.

A partir de então, nossos caminhos seriam um só.

Por R$2,30 é isso aí, ó!

Nossos corações também: um tum seria meu, outro tum seria dela.

O Sol autorizou-me a beijá-la assim que se retirou, e sob a luz da Lua que se seguiu, dançamos nossa valsa.

Por R$2,30 alugamos uma lixuosa limusine de 40 lugares, e recém casados, já parecíamos estar em núpcias.

Como todo noivo de mulher que não é gorda, carreguei-a nos braços até minha faraônica Kitinete, mas já antes da entrada, despimos um ao outro ávidamente. Nossa nova vida não permitia que escondêssemos nada um do outro. A começar pelos corpos.

Como presente de casamento, fez questão de entregar-me em mãos um lindo sino dourado.

Contudo, o sino de Carol ao ser badalado, produzia sons que me obrigavam a tapar sua boca. Afinal, já era tarde da noite. Para muitos era hora de dormir.

Não para nós que estávamos na plena manhã de nosso amor.

Á luz de velas e a incenso de chocolate, respirávamos o carinho um do outro enquanto fazíamos amor por horas que pareciam minutos.

Juntos éramos um feixe de dois. Amarrados por um laço de ternura bem apertado.

Nossos corpos nos diziam como prosseguir, mostrando a maneira certa de se agradar a pessoa amada.

Tapas, afagos, socos curtos, beijos, enforcamentos.

Uma madrugada doce demais para ser chamada apenas de sexo. Mas violenta demais para ser chamada somente de amor.

O céu, do negro foi ao violeta, e vestido para trabalhar, levei-a até o banco da praça para ver o nascer do Sol no meu colo.

As nuvens rosadas pelos primeiros raios da manhã emolduravam nosso beijo de despedida trasformando-o num quadro memorável.

TERÇA-FEIRA

Naquela terça-feira, foi difícil ir ao trabalho.

Os quadris doendo.

A coluna em frangalhos.

Eu inspirava ar e expirava vapor.

Seqüelas de uma noite de amor com uma mulher da cara de santa.

Passei o dia a repetir seu nome, a olhar suas fotos e a desenhar seu rosto. Claro! Um homem apaixonado não consegue ver nada além de sua amada, mesmo quando se olha no espelho.

Pelo bem da minha saúde eu precisava me recompôr. Jantar… Dormir…

Sim… Mas só se fosse junto dela!

E assim passamos a segunda noite em claro.

Já fui gato, já fui galo, já fui lobo. Mas somente uma amazona podia fazer-me cavalo.

Onde estava sua compaixão?

Após cavalgar por quilômetros e me deixar exausto, ela queria voltar à Terra no mesmo galope que viera ao Céu.

QUARTA-FEIRA

Quarta-feira foi um ótimo dia para eu ser demitido.

A postura idosa.

A respiração asmática.

A vista completamente embassada, abrindo e se fechando a todo segundo.

Dizem que eu fui ao trabalho. Eu já acho que sonhei que fui ao trabalho, mas faltei.

A realidade começou a me deixar confuso.

Longe dos seus braços tudo parecia ser de mentira. Eu estava certo de que a única coisa real que havia no mundo era o nosso amor. Todo o resto não passava de uma persistente ilusão que tentava me distrair e tirar do meu verdadeiro foco: o de venerar minha esposa durante toda a minha consciência.

Meu celular tocou.

Abrí os olhos em brasa, levantei a cabeça da mesa, limpei a baba do rosto e lí sua mensagem.

Naquele momento entendi que o amor não precisa de cama para ser praticado.

Suas palavras doces e picantes me faziam sentir sua presença em cheiro e calor.

Quando duas pessoas estão realmente juntas, não há distância física que as separe. Não há sono que as façam descansar, pois mesmo que dormindo, estarão a se amar.

A partir daí, a realidade não mais me confundiu. Tratava-se apenas de uma escolha.

Então, na mesma noite dormimos juntos.

No dia seguinte, cheguei atrasado e levei bronca. Sorrindo.

QUINTA, SEXTA, SÁBADO E DOMINGO

A quinta-feira passei em sua boca. O que fiz no trabalho não me vem à memória.

Na sexta-feira, inventei desculpas para matar serviço e poder brincar com ela. Esconde-esconde, pega-pega, cabra-cega, pega-e-esconde…Regredi até a minha infância.

Sábado, submerso nela passei, feliz como um peixe que bebe da mesma água que respira. Regredi até a minha gestação.

Domingo, minha regressão já havia terminado. E de volta à essência do meu ser, descobri que não era ZERA, nem humano, e sim, puro prazer que anda e vive.

A SEGUNDA-FEIRA FATAL

Não sei quantas luas-de-mel têm o privilégio de durar mais de uma semana, mas posso arriscar dizer que a nossa duraria mais de 100 anos, não fosse pela segunda-feira fatal.

Passei o dia todo em êxtase. Vendendo acima das metas e sorrindo mesmo enquanto mastigava o almoço.

A noite seria especial: arroz de forno na companhia da sua mãe, que ela tanto queria me apresentar.

–Mamãe, esse é o ZERA! ZERA, essa é minha mãe!

Naquele momento me condenei.

Eu podia ver naquela mulher os mesmo traços que tanto me fascinavam em sua filha. Mas além disso, ela era corôa e sabia cozinhar.

Eu percebi que Carol sentiu alguma coisa, mas não tive tempo de olhá-la com calma para saber o que era. Eu estava preso no olhar de sua mãe, que por durante todo o jantar, me fitou e se comunicou comigo, sem palvras, mas com uma mensagem de extrema clareza.

Meu amor foi ao quintal atender uma chamada e quando voltou, me viu na cozinha ajudando sua mãe com a louça. Porém, no mesmo diálogo mudo de antes.

Carol entendera.

Baixou sua cabeça.

No rosto nenhuma expressão, mas na alma uma tristeza lascerante.

Mais uma noite em claro passei. Dessa vez sozinho.

Eu não conseguia dormir, pois mesmo de longe eu podia ouvir seus soluços magoados e suas lágrimas a cair no travesseiro.

Sua dor atingia meu peito como lâmina de espada.

Mais uma vez ví o céu ir do negro ao violeta, mas antes de me vestir para o trabalho, atendi meu insone amor ao telefone:

–Por que você tem que ser assim, ZERA? A Maíra e a Monique eu posso até aceitar… Mas minha mãe?

Portanto amigos…

O que leva um homem a se casar?

Não sei.

Mas o que pode levar um casamento a acabar?

Sogra!

Ainda mais se ela for boa!

Abraz

ZERA

Comentários em: "Quase Uma Semana de Amor – Crônica ZERISTA" (2)

  1. usprodrigo disse:

    CARALHO MANO!!! É O NOVO VERÍSSIMO!!! A REENCARNAÇÃO DE NELSON RODRIGUES, TALVEZ! MUITO BOM!

  2. Aha!
    Eu navegando pela internet e encontro o novo blog do zera, totalmente reformado.

    Caramba, o zera alem de pegador eximio, eh um escritor filhodaputa. O que mais vou querer em um homem?

    Abracos zera!

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